Marrocos
e provou novamente que "O impossível não é marroquino"
ontem, o Marrocos passou pela Holanda nos pênaltis e levou a Copa para aquele lugar em que futebol vira outra coisa: pulso coletivo, loucura, susto, dança, reza, corpo aceso na rua, na sala, no estádio.
e é por isso que esta edição voltou a fazer sentido. ela nasceu de um outro espanto marroquino, lá atrás, quando o país também transformou o jogo em imagem, orgulho e comoção. mas, bem rápido, o futebol abriu uma porta maior. o Marrocos entrou aqui como território de luz, areia, transe, sopro, guitarra, eletrônica, memória e pista. um lugar onde o som parece vir de muito longe e, ao mesmo tempo, bater agora no corpo. tem Bab L’ Bluz, Guedra Guedra, Kinshasa, Master Musicians of Jajouka e uma playlist de música eletrônica marroquina para continuar ouvindo.
vamos de novo? :) semana que vem eu volto para o que? Paraguai.
“Se o Marrocos fosse um rosto, seria uma luz, uma palavra
do tempo, deriva das estações, enigmas das pedras.(…)
A terra, nunca emudecida, sabe esperar e dançar sob
os pés das mulheres.(…)
Assim é meu corpo: sombra tresloucada num jardim
de ilusões.”- Tahar Ben Jelloun, Abril de 1988
*originalmente publicado em fevereiro de 2023
um momento histórico: o primeiro país da África a chegar às semifinais da Copa do Mundo. ver a comoção e orgulho da torcida foi emocionante.
em árabe, al-Maġhrib, Marrocos significa “lugar onde o sol se põe; o oeste”. a luz natural deslumbrante, o céu multicolorido, os mistérios do deserto atraiu, transformou e inspirou gente como Matisse, Francis Bacon, George Orwell, Gertrude Stein, Yves Saint-Laurent, os Beats, Ornette Coleman, Paulo Coelho e Gloria Perez.
as cidades são irresistíveis e abundantes em sons-cheiros-sabores-danças que atiçam e embaralham os sentidos. assim como a música.
nesta edição tem trance Sufi centenário e também reinvenção da música tradicional misturada com guitarras psicodélicas, colagens sonoras, global bass, afrobeat e idm.
e aí eu mergulhei na vasta cena eletrônica: são tantos e tantas artistas sonoras, djs, produtores, selos, singles, EPs e coletâneas que não quis escolher apenas um e decidi montar uma playlist com os sons que mais curti. aqui: Marrocos eletrônico: pra cada deserto, uma pista de dança.
Bab L’ Bluz - Nayda! (2020)
De onde: Marraquexe, Marrocos
Pra quem curte: Gal cantando “Tuareg” (de Jorge Ben), Gnawa blues hipnótico-psicodélico-grooveado, fuzz-distorção-reverb, dançar com os pés descalços em tapetes coloridos, Mdou Moctar, revoluções culturais, músicas de protesto e em defesa da liberdade.
O hit: “Yemma”
Ao vivo no Festival MTN Bushfire (2021)
Guedra Guedra كدرة كدرة - Son of Sun EP (2020)
De onde: Casablanca, Marrocos
Pra quem curte: Transe coletivo na pista de dança, NON Worldwide, 808 pesado-frenético entrelaçado em instrumentos tradicionais, colagens de sons tribais ritualísticos, polirritmia em camadas sedutoras e transcendentais.
O hit: “Anlo Kinka”
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Boiler Room: live no Atlas Electronic (2019) | ouça também Vexillology (2021)
KINSHASA - Crocodilla (2021)
De onde: Casablanca, Marrocos
Pra quem curte: Pista fervida de leve numa tarde de verão, funky-groove-diversão no meio do caos, afrotronica, The Beat Diaspora, cores se movimentando com o calor.
O hit: “Yololo”
Bandcamp | ouça também Survivor (2017)
The Master Musicians of Jajouka led by Bachir Attar - Dancing Under the Moon (2022)
“… a 4000-year-old rock ’n’ roll band ….listen with your whole body, let the music penetrate you and move you and you will connect with the oldest music on earth”. - William S. Burroughs
De onde: Jajouka, Marrocos
Pra quem curte: O extraordinário poder transformador da música, sons viscerais-místicos-repetitivos, Ornette Coleman, harmonias cósmicas, aventuras em montanhas desconhecidas, tambores polirrítmicos, instrumentos de sopro uníssonos.
O hit: “Habibi N’Sitini”
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Bônus-loucura: Brian Jones Presents the Pipes of Pan at Jajouka. Sim, aquele dos Rolling Stones. gravado em 1968, lançado em 1971 e relançado em 1995 com produção executiva de Philip Glass. Altas histórias.
Marrocos eletrônico: pra cada deserto, uma pista de dança
O que é: playlist com sons eletrônicos marroquinos que vão do avant-pop ao dark wave, do electro ao footwork, do techno ao frenético cabeçudo.
Quem tá lá: Bergsonist, Ahlam, GLITTER55, Sicaria Sound, Raskas, Adil Hiani, Jantes, Ikram Bououm, Rayane Kara, Filastine, Aisha Kandisha’a Jarring Effects e mais.
Spotify







Amo muito os seus ouvidos. :)